Cultura
Morreu aos 82 anos o jornalista Joaquim Letria
O jornalista e escritor encontrava-se há algum tempo debilitado, mas não estava doente.
Joaquim Letria morreu esta sexta-feira, aos 82 anos. Foi fundador dos semanários O Jornal e Tal & Qual.
Letria foi uma das figuras marcantes da comunicação social portuguesa, tendo construído uma carreira de várias décadas na imprensa, na rádio e na televisão.
Letria foi uma das figuras marcantes da comunicação social portuguesa, tendo construído uma carreira de várias décadas na imprensa, na rádio e na televisão.
Nascido a 8 de novembro de 1943, em Lisboa, filiou-se no Partido Comunista aos 16 anos, tendo sido militante durante os oito anos seguintes. Joaquim Letria começou o trajeto jornalístico em 1963, no Diário de Lisboa.
Passou mais tarde para a revista Flama e para o Rádio Clube Português. Trabalhou para a Associated Press durante sete anos, regressando depois disso temporariamente a Lisboa, onde trabalhou novamente no Diário de Lisboa. Pouco depois concorreu a um lugar na BBC e mudou-se para Londres.
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, decidiu regressar a Portugal, começando a trabalhar na Radiotelevisão Portuguesa (RTP) como diretor-adjunto de Informação para programas não-diários.Apenas 15 dias após o regresso, chegou-se a discutir o seu despedimento dado que o presidente Spínola declarou à direção da RTP "aquele tipo da barba nunca mais aparece na televisão", ao saber que este teria entrevistado o "terrorista" Pedro Pires. No entanto, Letria continuou a trabalhar e o então presidente não insistiu na censura.
Joaquim Letria recebeu o Prémio da Imprensa, ou Prémio Bordalo, de 1974, entregue pela Casa da Imprensa em 1977, como "Figura TV" na categoria "Televisão", "pela vivacidade e o tom pessoal que conferiu ao seu trabalho", numa cerimónia em que, na mesma categoria, foi apenas distinguido como "Melhor Programa" A Política é de Todos (Álvaro Guerra).
Joaquim Letria participou na fundação do semanário O Jornal, na primavera de 1975, passando, pouco depois, para a agência noticiosa portuguesa ANOP (atual Lusa).
Regressou à RTP, em 1978, para fazer e apresentar o Informação 2. No período que se seguiu, criou os dois programas de televisão que o tornariam mais popular junto do grande público, o Directíssimo e o Tal & Qual, que misturavam informação com entretenimento, incluindo este último a popular rubrica Apanhados.
Após a vitória da Aliança Democrática nas eleições legislativas em outubro de 1980, a RTP decidiu, no mesmo ano, afastar Letria da direção do canal e acabar com o programa Tal & Qual. Joaquim Letria funda, na altura, o semanário de mesmo nome.
Em finais de 1980, participou na campanha eleitoral de Ramalho Eanes para as presidenciais e, quando Eanes tomou posse, Letria assumiu a função de porta-voz da presidência da República, lugar que desempenhou até 1986.A 19 de Abril de 1986 Joaquim José da Conceição Letria foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, decidiu regressar a Portugal, começando a trabalhar na Radiotelevisão Portuguesa (RTP) como diretor-adjunto de Informação para programas não-diários.Apenas 15 dias após o regresso, chegou-se a discutir o seu despedimento dado que o presidente Spínola declarou à direção da RTP "aquele tipo da barba nunca mais aparece na televisão", ao saber que este teria entrevistado o "terrorista" Pedro Pires. No entanto, Letria continuou a trabalhar e o então presidente não insistiu na censura.
Joaquim Letria recebeu o Prémio da Imprensa, ou Prémio Bordalo, de 1974, entregue pela Casa da Imprensa em 1977, como "Figura TV" na categoria "Televisão", "pela vivacidade e o tom pessoal que conferiu ao seu trabalho", numa cerimónia em que, na mesma categoria, foi apenas distinguido como "Melhor Programa" A Política é de Todos (Álvaro Guerra).
Joaquim Letria participou na fundação do semanário O Jornal, na primavera de 1975, passando, pouco depois, para a agência noticiosa portuguesa ANOP (atual Lusa).
Regressou à RTP, em 1978, para fazer e apresentar o Informação 2. No período que se seguiu, criou os dois programas de televisão que o tornariam mais popular junto do grande público, o Directíssimo e o Tal & Qual, que misturavam informação com entretenimento, incluindo este último a popular rubrica Apanhados.
Após a vitória da Aliança Democrática nas eleições legislativas em outubro de 1980, a RTP decidiu, no mesmo ano, afastar Letria da direção do canal e acabar com o programa Tal & Qual. Joaquim Letria funda, na altura, o semanário de mesmo nome.
Em finais de 1980, participou na campanha eleitoral de Ramalho Eanes para as presidenciais e, quando Eanes tomou posse, Letria assumiu a função de porta-voz da presidência da República, lugar que desempenhou até 1986.A 19 de Abril de 1986 Joaquim José da Conceição Letria foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Regressado à RTP, apresentou o programa Já Está e onde entrevistou a famosa D. Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança, alegada filha legitimada do rei D. Carlos I de Portugal.
No entanto, em 1988 saiu da RTP após aceitar o convite de Pedro Santana Lopes para dirigir a revista de grande informação Sábado, cargo que ocuparia até janeiro de 1992, quando deixou a direção da publicação, mantendo-se como cronista até ao seu encerramento de 1993. Entretanto, volta à RTP, desta feita à RTP Internacional, para apresentar o programa Rosa dos Ventos.
No início dos anos 90 apresentou, na RTP2, o programa Apanhados (o primeiro do género em Portugal), que contava com rábulas de José Pedro Gomes e António Feio.
Em 1995, apresenta o talk show Conversa Afiada, emitido na RTP ao início da madrugada. Apresentaria ainda outro na RTP Internacional, o Café Lisboa, na companhia de Agostinho Roseta e de José Amaral.
Começa a apresentar, em 1996, na RDP Antena 1, Cobras e Lagartos. O programa seria suspenso devido a uma polémica relacionada com Angola e Letria foi despedido da RDP.
Nos tempos seguintes, lançou o livro "A Verdade Confiscada. Escândalo - A Armadilha da Nova Censura" (1998), colaborou com a Rádio Comercial e com o jornal diário 24 Horas, lecionou na Universidade Lusíada e fez consultoria de comunicação. Foi mantendo uma ligação à televisão através da produção de documentários.
Em 2001 foi processado por difamação ao caracterizar como "aldrabão" o autarca de Castelo de Paiva, Antero Gaspar, em relação às suas declarações sobre a tragédia da ponte de Entre-os-Rios.
Em 2014, depois de estar mais de 17 anos afastado da televisão, regressou aos ecrãs na TVI.
No entanto, em 1988 saiu da RTP após aceitar o convite de Pedro Santana Lopes para dirigir a revista de grande informação Sábado, cargo que ocuparia até janeiro de 1992, quando deixou a direção da publicação, mantendo-se como cronista até ao seu encerramento de 1993. Entretanto, volta à RTP, desta feita à RTP Internacional, para apresentar o programa Rosa dos Ventos.
No início dos anos 90 apresentou, na RTP2, o programa Apanhados (o primeiro do género em Portugal), que contava com rábulas de José Pedro Gomes e António Feio.
Em 1995, apresenta o talk show Conversa Afiada, emitido na RTP ao início da madrugada. Apresentaria ainda outro na RTP Internacional, o Café Lisboa, na companhia de Agostinho Roseta e de José Amaral.
Começa a apresentar, em 1996, na RDP Antena 1, Cobras e Lagartos. O programa seria suspenso devido a uma polémica relacionada com Angola e Letria foi despedido da RDP.
Nos tempos seguintes, lançou o livro "A Verdade Confiscada. Escândalo - A Armadilha da Nova Censura" (1998), colaborou com a Rádio Comercial e com o jornal diário 24 Horas, lecionou na Universidade Lusíada e fez consultoria de comunicação. Foi mantendo uma ligação à televisão através da produção de documentários.
Em 2001 foi processado por difamação ao caracterizar como "aldrabão" o autarca de Castelo de Paiva, Antero Gaspar, em relação às suas declarações sobre a tragédia da ponte de Entre-os-Rios.
Em 2014, depois de estar mais de 17 anos afastado da televisão, regressou aos ecrãs na TVI.
Em 2021, quando o noticiário fazia 40 anos, lembrou o debate que moderou entre Mário Soares e Álvaro Cunhal, em 1975, que ficou até hoje conhecido pela expressão usada por Álvaro Cunhal: "Olhe que não".
Foi ainda presidente do Sindicato de Jornalistas.
Foi ainda presidente do Sindicato de Jornalistas.